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quinta-feira, 28 de abril de 2011

União Européia e Imigração (em Massa?)

Rogério Simões - 12:35, quarta-feira, 27 de abril de 2011

A lista da revista americana Time com as cem pessoas mais influentes do mundo trouxe uma nova líder na qual poucos apostavam até recentemente. Seu avanço no círculo político, após a saída de cena do seu mentor e padrinho, foi uma das grandes novidades recentes na disputa pelo poder em seu país. Não estou falando da presidente Dilma Rousseff, também incluída pela Time na relação e cuja estrela só faz subir, apesar dos enormes desafios do Brasil. Eu me refiro à líder da Frente Nacional francesa, Marine Le Pen, cuja ascensão em meio ao eleitorado na França é sinal dos tempos. Surfando na onda da crise econômica que continua afligindo o Velho Continente, um novo movimento anti-imigração ganha força entre líderes nacionais e apoio nas urnas ou pesquisas de opinião.

Os premiês da França e da Itália, depois de uma breve crise diplomática envolvendo imigrantes vindos da Tunísia, resolveram se aliar para combater o problema. Nicolas Sarkozy e Silvio Berlusconi apareceram nesta semana lado a lado para exigir da União Europeia uma revisão do acordo, nascido nos anos 80, que permite o livre trânsito dentro do bloco. É mais um baque para o espírito da UE, cujos principais pilares são a moeda única (abalada pelas crises na Grécia, na Irlanda e em Portugal) e a ausência de checagem de documentos nas fronteiras internas (com exceção das ilhas Grã-Bretanha e Irlanda). Desde a chegada de dezenas de milhares de refugiados das crises políticas no mundo árabe, a preocupação com a imigração aumentou, e as lideranças nacionais sentem-se pressionadas a fazer algo a respeito. Na cabeça de Sarkozy, particularmente, está o nome de Marine Le Pen. A filha de Jean-Marie Le Pen herdou do pai o comando do partido de extrema-direita francês e vem tentando torná-lo uma opção viável nas urnas. Uma pesquisa recente trouxe Marine na liderança da disputa presidencial, um ano antes das próximas eleições, com o apoio de 23% dos ouvidos. Foi o suficiente para preocupar Sarkozy, que deverá tentar a reeleição, e colocá-la na lista de influentes da Time.

O apoio a políticos que exploram o medo da população local de perder o emprego para trabalhadores estrangeiros não se restringe à França. Vários países europeus registraram nos últimos anos um crescimento dessa tendência, como a Finlândia, onde a extrema-direita quadruplicou seus votos entre 2007 e 2011, chegando a 20% do total no pleito realizado em março. Além disso, a preocupação geral com a imigração (ou com os fantasmas criados em torno do fenômeno) tem forçado políticos mais ao centro a ajustar seus discursos. O atual líder dos trabalhistas na Grã-Bretanha, Ed Milliband, disse dias atrás que o seu partido, quando no governo, subestimou o impacto da imigração na disputa por empregos e moradia no país. O atual primeiro-ministro, o conservador David Cameron, foi além: comprometeu-se com mais restrições contra aquilo que chamou de "imigração em massa".

A atração exercida por muitos anos pelo continente europeu sobre aspirantes a bons empregos e bons serviços sociais tem diminuído desde a eclosão da crise econômica, em 2008. Nações como Irlanda e Portugal, que por muitos anos atraíram trabalhadores de várias partes do mundo, inclusive do Brasil, começam a voltar à característica que tiveram no passado, de exportadores de mão-de-obra. Portugueses céticos diante das atuais dificuldades começam a deixar o país, numa onda migratória que tem como um dos destinos o Brasil. Já os brasileiros em geral começam a se acostumar, cada vez mais, com a presença de latino-americanos, europeus ou americanos no mercado de trabalho, já que o crescimento econômico tem atraído profissionais, qualificados ou não, de outras nações. O Brasil, cuja sociedade é majoritariamente composta por imigrantes (os índios são os únicos que estão no país há mais de 500 anos), perdeu cidadãos durante décadas, mas volta a receber estrangeiros entusiasmados com seu potencial. Qual será a atitude do país diante desse interesse? Parte dos europeus acredita não poder mais manter suas portas abertas, levando líderes a jogar com as cartas da xenofobia. No Brasil, a disposição de lidar com o diferente também será aos poucos testada, pelo menos enquanto o país for visto como fonte de prosperidade em um mundo imerso na incerteza econômica.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2011/04/de_novo_os_imigrante.shtml

Opinião da Blogueira:

Essa história não é nova... os governos europeus só mudam a motivação pra difundir tais ideais... antes camuflavam esse ideal de restrição a imigrantes dentro do contexto de políticas anti-terroristas que, segundo eles, visavam diminuir a entrada, e consequente atuação de grupos extremistas dentro do Bloco... agora é a crise econômica a desculpa para mais uma vez punir os imigrantes... e com mais esse golpe (tentativa de restringir o livre trânsito de pessoas dentro do bloco) a UE perde mais um pouco de sua essência... qual será a nova desculpa daqui a algum tempo?
Com relação ao assunto, o Brasil ganha cada vez mais espaço no cenário internacional e é visto como uma terra com grande potencial, desponta como um país no qual se pode ter novas oportunidades, o que está atraindo mão-de-obra estrangeira (não apenas de latino-americanos, mas de pessoas de outras regiões do mundo, inclusive europeus como dito no artigo), a idéia de que a Europa não é mais tão receptiva talvez venha influenciando essa vinda de mão-de-obra para o Brasil... será que entraremos nessa "onda anti-imigrantes"?ou melhor... será que já não entramos nessa onda levando em consideração as reações da população com relação a vinda de nossos vizinhos sul-americanos?É algo para se pensar, não?

sábado, 20 de março de 2010

Merkel quer criar possibilidade de excluir países da zona do euro

Atualizado em 17 de março, 2010 - 17:41 (Brasília) 20:41 GMT

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse nesta quarta-feira que a zona do euro deve ter a possibilidade de excluir membros no futuro para evitar novas crises financeiras como a que atingiu a Grécia.

"No futuro, necessitamos incorporar uma cláusula no tratado (da União Europeia) que tornará possível, como último recurso, excluir um país da zona do euro se os requerimentos não sejam cumpridos repetidamente, no longo prazo", disse Merkel no Parlamento da Alemanha, que é a maior economia da região.

"O euro vem enfrentando seu maior desafio até hoje. (...) Um gesto rápido de solidariedade definitivamente não é a resposta certa" completou.

A Alemanha reluta em socorrer financeiramente a Grécia, país abalado por dívidas. O déficit interno grego é de 12,7%, quatro vezes maior do que o limite estabelecido pelo bloco.

Medidas

Analistas temem que a crise grega se espalhe por outros países da zona do euro.

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, sugeriu a possibilidade da criação de um Fundo Monetário Europeu, nos moldes do Fundo Monetário Internacional, para lidar com crises semelhantes no futuro.

Leia também na BBC Brasil: França e Alemanha estudam criação de Fundo Monetário Europeu

A correspondente da BBC em Bruxelas Oana Lungescu diz que a Alemanha pode estar preparada para adotar medidas inéditas para garantir a sobrevivência do euro.

Na terça-feira, ministros europeus das Finanças concordaram em ajudar a Grécia, sem revelar detalhes da ajuda, mas descartando a aprovação de novos empréstimos.


Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/03/100317_alemanha-grecia_rc.shtml